POVOS ORIGINÁRIOS

PF apura denúncias de violência contra Guarani Kaiowá após período eleitoral

Investigações incluem incêndio na casa de uma liderança espiritual e ameaças de contaminação da água de uma aldeia.

Redação Café News 30 de outubro de 2026

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) apuram uma série de denúncias de ataques, ameaças e intimidações contra comunidades indígenas Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul. Os episódios ganharam força após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 30 ocorrências relacionadas ao contexto eleitoral foram denunciadas no estado, incluindo ameaças, agressões e atropelamentos.

Comunidades sob ameaça

Os relatos envolvem diferentes municípios de Mato Grosso do Sul, especialmente Tacuru, na região de fronteira com o Paraguai, além de Coronel Sapucaia e outras localidades.

As organizações indígenas afirmam que a tensão aumentou após o resultado eleitoral, quando começaram a circular mensagens com ofensas racistas e ameaças contra moradores das aldeias.

Casa destruída e ameaças à água

Um dos episódios mais graves ocorreu na quinta-feira (29), quando um incêndio destruiu a residência de Ñandesy Roberta, de 90 anos, liderança espiritual da Aldeia Jaguapiré, em Tacuru.

Além da moradia, as chamas consumiram pertences e instrumentos sagrados utilizados em cerimônias tradicionais. Organizações indígenas denunciam que o incêndio foi criminoso e motivado por intolerância religiosa, mas as circunstâncias e a autoria ainda não foram esclarecidas.

Outro caso envolve áudios atribuídos a servidores municipais de Tacuru, nos quais aparecem ameaças de envenenamento da água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró.

Após a repercussão, a prefeitura informou que instaurou um processo administrativo disciplinar e afastou dois servidores enquanto os fatos são investigados.

Mobilização das autoridades

As denúncias foram encaminhadas aos órgãos federais por organizações indígenas, incluindo a Apib e a Aty Guasu.

O Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionaram a Polícia Federal e acompanham os relatos.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, também anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para reunir denúncias e encaminhar os casos às autoridades competentes.

Um conflito que vem de longe

Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os episódios recentes fazem parte de um histórico de violência, racismo e disputas territoriais enfrentado pelos povos indígenas na região.

Dados da entidade apontam que Mato Grosso do Sul registrou 102 casos de violência contra a pessoa indígena em 2025, incluindo 37 assassinatos.

As organizações alertam que, além da integridade física das comunidades, estão em risco direitos fundamentais, como a liberdade religiosa, a segurança e a preservação das tradições culturais.

Investigações e medidas de proteção

O MPF cobrou esclarecimentos da Prefeitura de Tacuru sobre as ameaças e as medidas adotadas para proteger as comunidades.

Enquanto as investigações avançam, entidades indígenas pedem reforço na segurança das aldeias, apuração das denúncias e responsabilização de eventuais envolvidos.

Os próximos desdobramentos

A atenção agora se volta para os resultados das investigações, especialmente sobre a origem do incêndio na casa de Ñandesy Roberta e as ameaças contra o abastecimento de água.

As comunidades também aguardam medidas que garantam proteção e impeçam novos episódios de violência.

Este café foi servido com informações da Agência Brasil, Campo Grande News, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

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