Política Internacional

Flávio foge da Justiça brasileira, mas já encontra resistência nos Estados Unidos

Isaiah Martin pede deportação e quer apuração de possíveis gastos americanos para proteger o brasileiro.

Redação Café News 27 de outubro de 2026

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de escapar da pressão judicial no Brasil pode estar criando um novo problema para o senador. Menos de 48 horas após perder a eleição presidencial para Lula, Flávio deixou o país rumo aos Estados Unidos, segundo informações confirmadas à Reuters por um aliado e uma fonte do governo americano. Mas a possível proteção de Donald Trump já provoca reações contrárias em território americano.

O comentarista político democrata Isaiah Martin defendeu publicamente sua deportação e pediu que eventuais gastos do governo Trump com a operação sejam investigados.

A viagem que aumentou a pressão

Tudo aconteceu nesta terça-feira (27), um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o Brasil.

Na segunda-feira (26), o senador garantiu publicamente que permaneceria no país e cumpriria a determinação. No entanto, o prazo terminou sem a entrega dos documentos, que foram cancelados pela Polícia Federal.

Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios envolvendo plataformas de apostas, em um inquérito que também envolve o advogado Willer Tomaz. Os investigados negam irregularidades.

O plano de proteção encontra resistência

A saída do Brasil ganhou repercussão internacional após Simón Levy, aliado de Trump e ex-integrante do governo mexicano, afirmar que Flávio teria chegado aos Estados Unidos sob proteção americana.

Levy chegou a atribuir ao secretário de Estado Marco Rubio a articulação da suposta operação. Entretanto, não apresentou provas públicas do envolvimento de Rubio, e não existe confirmação oficial sobre a concessão de asilo ou de proteção governamental ao senador.

O que poderia representar uma saída estratégica para Flávio passou a despertar questionamentos sobre a possibilidade de o governo americano empregar recursos públicos para proteger um político brasileiro investigado pela Justiça.

De aliado de Trump a alvo de deportação

A reação mais contundente veio de Isaiah Martin, comentarista democrata e crítico do movimento político liderado por Donald Trump.

Em publicações nas redes sociais, Martin defendeu a deportação de Flávio e afirmou que os democratas deveriam investigar cada centavo eventualmente gasto pelo governo americano para transportar, abrigar ou proteger o senador.

O comentarista também criticou a possibilidade de contribuintes americanos financiarem a segurança de integrantes da família Bolsonaro.

Embora Martin não tenha autoridade para determinar uma deportação, sua manifestação mostra que a presença de Flávio nos Estados Unidos já virou motivo de confronto político.

Sair do país não apaga as consequências

A viagem não encerra os problemas de Flávio com a Justiça brasileira. Pelo contrário, o descumprimento da determinação do STF pode provocar novas medidas judiciais.

A Polícia Federal informou que comunicaria oficialmente a Alexandre de Moraes a falta de entrega dos passaportes. O senador também estava proibido de deixar o território nacional.

Apesar disso, ainda não havia mandado de prisão contra Flávio. Uma eventual deportação ou extradição dependeria de procedimentos legais específicos nos Estados Unidos.

Também não há confirmação de que recursos públicos americanos tenham sido utilizados para protegê-lo.

O futuro pode ser ainda mais complicado

A situação política de Flávio também apresenta dificuldades. Derrotado por Lula na eleição presidencial de domingo (25), o senador se aproxima do encerramento de seu mandato, em fevereiro de 2027.

Sem um novo mandato, ele poderá perder prerrogativas parlamentares, enquanto a situação dos processos atualmente em tramitação no STF dependerá das regras de competência e das decisões judiciais aplicáveis.

O cenário representa uma combinação delicada: derrota eleitoral, investigações em andamento, descumprimento de uma determinação judicial e crescente dependência de apoio político no exterior.

Nem toda proteção é permanente

A aposta de Flávio em uma possível proteção do governo Trump pode oferecer algum respaldo político no presente, mas não garante segurança jurídica permanente.

O presidente americano enfrenta oposição interna, e decisões migratórias não dependem exclusivamente da vontade de aliados políticos.

Para Flávio, a tentativa de escapar da pressão brasileira pode acabar ampliando seu desgaste internacional. Afinal, uma coisa é contar com a simpatia de Trump. Outra, muito diferente, é convencer os Estados Unidos de que vale a pena assumir os custos políticos e jurídicos de protegê-lo.

A pergunta que permanece é se Flávio encontrou um refúgio ou apenas transferiu sua crise para outro país.

Este café foi servido com informações da Reuters, Agência Brasil, Metrópoles, Congresso em Foco e publicações de Isaiah Martin nas redes sociais..

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