Após derrota nas eleições, Flávio Bolsonaro perde chance de imunidade e poderá ser preso
Com o fim do mandato no Senado em 2027, Flávio Bolsonaro enfrenta investigações que podem resultar em processos criminais. Uma eventual prisão dependerá de decisão judicial.

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), não representa apenas o fim de sua tentativa de chegar à Presidência da República. O resultado também coloca o senador diante de um novo cenário judicial, marcado por investigações da Polícia Federal que poderão resultar em consequências criminais, incluindo a possibilidade de prisão.
Lula foi reeleito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio. Com a derrota, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deixa de conquistar a imunidade temporária que teria caso assumisse a Presidência.
O mandato tem data para acabar
Flávio Bolsonaro continuará exercendo o cargo de senador até o início de 2027, quando termina seu mandato. A partir daí, ficará sem cargo eletivo.
Isso não significa, porém, que perderá automaticamente o foro privilegiado. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de março de 2025, estabeleceu que o foro pode continuar valendo após o término do mandato para crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados à função.
A principal mudança provocada pela derrota é outra: Flávio não terá a imunidade presidencial temporária que impediria seu processamento criminal, durante a Presidência, por fatos anteriores e sem relação com o exercício do cargo.
O dinheiro por trás de Dark Horse
Entre os principais problemas judiciais enfrentados pelo senador está a investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas à negociação de aproximadamente R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Em reportagem publicada no dia 23 de outubro, o Intercept Brasil revelou que um documento obtido pela PF aponta que parte dos recursos enviados aos Estados Unidos para financiar o filme teria origem em uma empresa ligada às fraudes investigadas no Banco Master.
Segundo a reportagem, uma empresa de Fabiano Zettel, apontado como aliado de Vorcaro, transferiu R$ 12 milhões para uma intermediadora financeira na véspera da primeira remessa destinada ao projeto cinematográfico.
Quem está na mira da investigação
Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado no caso em julho de 2026.
A apuração envolve movimentações financeiras, empresas intermediárias e transferências internacionais relacionadas à produção do filme.
O senador reconheceu ter buscado financiamento privado para o projeto, mas negou qualquer negociação de vantagem indevida. Também sustentou que os recursos tinham origem privada e lícita.
A investigação ainda não representa uma condenação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá das provas reunidas e da análise da Justiça.
Por que a derrota muda o cenário?
Caso tivesse vencido a eleição, Flávio Bolsonaro contaria com uma proteção constitucional específica: durante o mandato presidencial, não poderia ser responsabilizado criminalmente por atos anteriores que não tivessem relação com o exercício da Presidência.
Com a derrota, essa proteção não entrará em vigor.
Isso significa que eventuais denúncias e processos poderão seguir seu curso, respeitando as regras de competência judicial e as garantias legais.
Prisão é uma possibilidade, mas não é automática
A possibilidade de prisão existe juridicamente caso as investigações resultem em medidas que preencham os requisitos previstos na legislação.
Entretanto, perder uma eleição, deixar o Senado ou ser investigado não são motivos suficientes para determinar uma prisão.
Uma eventual medida dependerá de fundamentos legais específicos e de decisão judicial. Também não há, nas informações divulgadas até agora, confirmação de uma ordem de prisão contra Flávio relacionada ao caso Dark Horse.
Os próximos capítulos
A Polícia Federal solicitou mais 90 dias para aprofundar a investigação sobre o financiamento do filme. Entre as diligências pendentes estão perícias contábeis e pedidos de cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos para rastrear a origem e o destino dos recursos.
Enquanto isso, a derrota eleitoral encerra a possibilidade de Flávio assumir a Presidência em 2027, mas não encerra as questões judiciais que envolvem seu nome.
O próximo capítulo dependerá do avanço das investigações, das conclusões da Polícia Federal e das decisões do Ministério Público e da Justiça.
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