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Após derrota nas eleições, Flávio Bolsonaro perde chance de imunidade e poderá ser preso

Com o fim do mandato no Senado em 2027, Flávio Bolsonaro enfrenta investigações que podem resultar em processos criminais. Uma eventual prisão dependerá de decisão judicial.

Redação Café News 25 de outubro de 2026

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), não representa apenas o fim de sua tentativa de chegar à Presidência da República. O resultado também coloca o senador diante de um novo cenário judicial, marcado por investigações da Polícia Federal que poderão resultar em consequências criminais, incluindo a possibilidade de prisão.

Lula foi reeleito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio. Com a derrota, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deixa de conquistar a imunidade temporária que teria caso assumisse a Presidência.

O mandato tem data para acabar

Flávio Bolsonaro continuará exercendo o cargo de senador até o início de 2027, quando termina seu mandato. A partir daí, ficará sem cargo eletivo.

Isso não significa, porém, que perderá automaticamente o foro privilegiado. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de março de 2025, estabeleceu que o foro pode continuar valendo após o término do mandato para crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados à função.

A principal mudança provocada pela derrota é outra: Flávio não terá a imunidade presidencial temporária que impediria seu processamento criminal, durante a Presidência, por fatos anteriores e sem relação com o exercício do cargo.

O dinheiro por trás de Dark Horse

Entre os principais problemas judiciais enfrentados pelo senador está a investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas à negociação de aproximadamente R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Em reportagem publicada no dia 23 de outubro, o Intercept Brasil revelou que um documento obtido pela PF aponta que parte dos recursos enviados aos Estados Unidos para financiar o filme teria origem em uma empresa ligada às fraudes investigadas no Banco Master.

Segundo a reportagem, uma empresa de Fabiano Zettel, apontado como aliado de Vorcaro, transferiu R$ 12 milhões para uma intermediadora financeira na véspera da primeira remessa destinada ao projeto cinematográfico.

Quem está na mira da investigação

Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado no caso em julho de 2026.

A apuração envolve movimentações financeiras, empresas intermediárias e transferências internacionais relacionadas à produção do filme.

O senador reconheceu ter buscado financiamento privado para o projeto, mas negou qualquer negociação de vantagem indevida. Também sustentou que os recursos tinham origem privada e lícita.

A investigação ainda não representa uma condenação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá das provas reunidas e da análise da Justiça.

Por que a derrota muda o cenário?

Caso tivesse vencido a eleição, Flávio Bolsonaro contaria com uma proteção constitucional específica: durante o mandato presidencial, não poderia ser responsabilizado criminalmente por atos anteriores que não tivessem relação com o exercício da Presidência.

Com a derrota, essa proteção não entrará em vigor.

Isso significa que eventuais denúncias e processos poderão seguir seu curso, respeitando as regras de competência judicial e as garantias legais.

Prisão é uma possibilidade, mas não é automática

A possibilidade de prisão existe juridicamente caso as investigações resultem em medidas que preencham os requisitos previstos na legislação.

Entretanto, perder uma eleição, deixar o Senado ou ser investigado não são motivos suficientes para determinar uma prisão.

Uma eventual medida dependerá de fundamentos legais específicos e de decisão judicial. Também não há, nas informações divulgadas até agora, confirmação de uma ordem de prisão contra Flávio relacionada ao caso Dark Horse.

Os próximos capítulos

A Polícia Federal solicitou mais 90 dias para aprofundar a investigação sobre o financiamento do filme. Entre as diligências pendentes estão perícias contábeis e pedidos de cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos para rastrear a origem e o destino dos recursos.

Enquanto isso, a derrota eleitoral encerra a possibilidade de Flávio assumir a Presidência em 2027, mas não encerra as questões judiciais que envolvem seu nome.

O próximo capítulo dependerá do avanço das investigações, das conclusões da Polícia Federal e das decisões do Ministério Público e da Justiça.

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