Ídolo do bolsonarismo, Trump aponta eleições do Brasil como referência
Presidente dos EUA destacou o voto presencial, a identificação com foto, a biometria e a rapidez na apuração brasileira como exemplos positivos ao defender mudanças no sistema eleitoral americano.

Donald Trump buscou exemplos fora dos Estados Unidos para defender mudanças nas eleições americanas e encontrou um país que pode provocar certo desconforto entre seus aliados por aqui: o Brasil.
Em publicação original no Truth Social, o presidente americano destacou características do processo eleitoral brasileiro de forma positiva. Trump citou o voto presencial, a identificação com foto, o uso de biometria pela maioria dos eleitores e a divulgação dos resultados na mesma noite.
O elogio veio por quê?
A comparação apareceu enquanto Trump defendia mudanças no modelo eleitoral dos Estados Unidos, principalmente em relação à identificação dos eleitores e ao voto pelo correio.
Ao falar do Brasil, ele ressaltou justamente características que considera desejáveis para o sistema americano. Trump também destacou que o país não possui um grande sistema nacional de votação pelo correio.
Na prática, quando precisou mostrar como gostaria que parte das eleições americanas funcionasse, Trump apontou para o Brasil.
A saia justa do bolsonarismo
É aqui que o café fica mais forte.
Trump é uma das principais referências internacionais de Jair Bolsonaro e de seus aliados. Enquanto isso, Bolsonaro e integrantes do bolsonarismo passaram anos levantando suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro e questionando a confiabilidade das eleições no país.
Agora, o próprio presidente americano resolveu recorrer às eleições do Brasil para destacar características que considera positivas.
Não chega a ser uma declaração de amor ao sistema eleitoral brasileiro, mas cria uma ironia difícil de ignorar para quem transformou as eleições do país em alvo constante de desconfiança.
Mas calma lá
Tem um detalhe importante nessa história.
Trump não elogiou especificamente a urna eletrônica. Também não afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é superior ao americano como um todo.
O presidente dos Estados Unidos destacou pontos específicos do modelo brasileiro que combinam com a agenda eleitoral que defende: voto presencial, identificação com foto, biometria, ausência de votação nacional em massa pelo correio e rapidez na divulgação dos resultados.
A briga é lá nos Estados Unidos
Trump vem defendendo regras mais rígidas para as eleições americanas, especialmente na identificação dos eleitores e na votação pelo correio.
Nos Estados Unidos, as regras eleitorais variam entre os estados, inclusive nas formas de votação e nas exigências de identificação.
Desta vez, o Brasil entrou no argumento do presidente americano como exemplo de práticas que ele gostaria de ver do outro lado do continente.
Vai explicar como?
A cena é curiosa: o político que virou símbolo internacional para boa parte do bolsonarismo está usando características das eleições brasileiras como referência justamente em um tema que alimentou anos de conflito político no Brasil.
Trump não virou defensor da urna eletrônica.
Mas colocou aspectos do sistema eleitoral brasileiro na lista de exemplos positivos.
E essa parte vai ser difícil fingir que não aconteceu.
Este café foi servido com informações de publicação original de Donald Trump no Truth Social.
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