Perdeu aura

Renan Santos tem imagem negativa para 67% dos eleitores

Levantamento da AtlasIntel mostra o presidenciável na pior posição entre os principais nomes avaliados.

Redação Café News 31 de agosto de 2026

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A candidatura de Renan Santos pode até tentar vender novidade, renovação e discurso contra a velha política. O problema é que a imagem parece ter envelhecido antes de chegar às urnas.

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 31 de agosto aponta que 67% dos eleitores têm uma imagem negativa do candidato do Missão. Apenas 16% dizem enxergá-lo positivamente, enquanto 17% não souberam avaliar.

Entre os principais presidenciáveis analisados, ninguém conseguiu superar Renan nesse quesito.

Dois em cada três

O levantamento ouviu 5.014 eleitores e tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

E o problema para Renan não é apenas ter uma avaliação ruim. É o tamanho dela.

Flávio Bolsonaro aparece logo depois, com 60% de imagem negativa. Romeu Zema registra 53%, Lula tem 52% e Ronaldo Caiado, 49%. Augusto Cury fecha a lista com 30%.

Ou seja: numa disputa cheia de nomes conhecidos, governos para defender e sobrenomes politicamente pesados, o candidato que tenta representar o novo conseguiu sair na frente justamente na lista em que ninguém gostaria de liderar.

Pior que os conhecidos

O contraste fica ainda mais curioso quando se olha para o discurso que cerca a candidatura de Renan.

Ligado ao MBL e candidato pelo Missão, ele tenta ocupar o espaço de uma direita que se apresenta como alternativa ao bolsonarismo e aos políticos tradicionais. Só que, pelo menos na fotografia atual da AtlasIntel, essa alternativa já chega carregando uma resistência considerável.

Dois em cada três entrevistados dizem ter uma percepção negativa sobre ele.

É muita gente torcendo o nariz para quem ainda tenta convencer o país de que merece ser conhecido.

Novidade com desgaste

Renan aparece com 7,6% das intenções de voto no cenário de primeiro turno medido pela AtlasIntel. É um desempenho que o coloca no pelotão intermediário da corrida, praticamente empatado com Augusto Cury, que registra 7,8%.

Mas os dois chegam a esse patamar com uma diferença importante.

Enquanto Cury tem 30% de imagem negativa, Renan alcança 67%. O candidato do Missão, portanto, não enfrenta apenas o desafio de crescer. Precisa crescer carregando uma imagem negativa que já alcançou uma parcela expressiva do eleitorado.

A promessa pode ser de novidade. A primeira impressão, aparentemente, não colaborou.

O tamanho da encrenca

Imagem negativa não é a mesma coisa que rejeição eleitoral. A pesquisa mede conceitos diferentes, e os 67% dizem respeito especificamente à percepção que os entrevistados têm de Renan Santos.

Ainda assim, o número importa.

Uma candidatura presidencial precisa conquistar gente para além da própria bolha, aumentar conhecimento e convencer eleitores que ainda não fecharam voto. Quando a exposição vem acompanhada de uma imagem negativa tão alta, essa estrada tende a ficar mais complicada.

Renan não precisa apenas ser mais conhecido. Pelos números da AtlasIntel, precisa convencer muita gente a mudar de ideia sobre ele.

A aura aguenta?

Campanha eleitoral existe justamente porque pesquisas são fotografias do momento, e fotografia muda.

Renan ainda terá debates, propaganda, entrevistas e redes sociais para tentar reduzir a resistência e ampliar seu eleitorado.

Mas o retrato de agora é pouco generoso: antes de conquistar o Planalto, o candidato do Missão tem uma missão mais urgente pela frente.

Recuperar a própria aura.

Este café foi servido com informações da AtlasIntel/Bloomberg.

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