Violência doméstica

Ex-marido mandou cortar energia e mulher viveu cinco anos no escuro com filho autista em Criciúma

A decisão da Justiça pôs fim a cinco anos de privação e reconheceu que a falta de energia fazia parte da violência sofrida pela mulher.

Redação Café News 03 de julho de 2026

Foto: Imagem gerada por inteligência artificial para ilustrar a matéria.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial para ilustrar a matéria.

Uma moradora de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, voltou a ter energia elétrica em casa após passar cinco anos sem o serviço. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o corte foi solicitado pelo então marido como forma de represália depois que ela conseguiu uma medida protetiva por violência doméstica.

Uma violência que continuou

Após ser afastado da residência por determinação judicial, o agressor pediu o desligamento da energia porque a unidade consumidora estava registrada em seu nome. Ele morreu cerca de um ano depois, mas, conforme o MPSC, os ex-sogros da vítima continuaram impedindo o religamento da rede. A intenção, segundo o órgão, era forçar a mulher a deixar a casa onde construiu a família e viveu por mais de 20 anos.

Rotina de privações

Sem energia, a mulher e o filho autista precisaram adaptar completamente a rotina. Ela aquecia água no fogão para tomar banho, dependia de vizinhos para guardar alimentos na geladeira, carregar o celular e enfrentava o calor do verão apenas com as janelas abertas.

Eu tinha pedido ajuda já lá atrás. Eu pedi uma medida contra o meu marido, que era um alcoólatra, e com essa protetiva ele foi lá e mandou desligar a energia para me ver saindo de casa. Mas eu não saí. Vivi esse tempo todo com o meu filho autista sem energia.

Quando a Justiça entrou em cena

O caso ganhou um novo rumo após o Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), do Ministério Público, pedir à Justiça o restabelecimento da energia. O entendimento foi de que impedir o acesso a um serviço essencial configurava uma forma contínua de violência psicológica contra a mulher.

A decisão determinou o religamento imediato da energia e proibiu qualquer nova tentativa de impedir o fornecimento. O serviço foi restabelecido no dia 18 de junho.

Um novo começo

Ao ver a equipe chegando para religar a energia, a vítima disse que custou a acreditar no que estava acontecendo.

Parecia que era mentira. Quando a gente viu o caminhão ali, nem parecia verdade. Vieram minha mãe e minha irmã correndo, comemorando. A gente dizia: ‘Que bênção, que bênção’. Não tem explicação. Não desejo para ninguém passar por isso. Estou muito feliz.

Este café foi servido com informações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC)..

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