Cultura Urbana

Sam Carvalho participa de articulação nacional que discute os rumos da dança brasileira

Representando Santa Catarina, Sam Carvalho destacou a importância das danças urbanas nas políticas públicas e nos processos de transformação social.

Tihh Gonçalves 03 de junho de 2026

Foto: Reprodução
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Entre os dias 20 e 23 de maio de 2026, o arte-educador e produtor cultural Sam Carvalho participou do 17º Fórum Nacional de Dança, realizado no Centro Cultural São Paulo (CCSP). No encontro, ele integrou as articulações nacionais em torno da regulamentação da Lei da Dança e levou ao debate as vivências da dança, da educação pública, das danças urbanas e das políticas culturais construídas no Vale do Itajaí.

Uma voz do Vale do Itajaí no debate nacional

A participação de Sam representou não apenas sua trajetória profissional, mas também a presença de artistas, educadores, fazedores de cultura e trabalhadores da dança que atuam fora dos grandes centros urbanos. Foram levadas ao debate experiências construídas nos territórios, nas escolas, nos projetos sociais, nas periferias e nas políticas públicas locais.

Homem transmasculino neurodivergente, arte-educador e produtor cultural, Sam acumula mais de 16 anos de atuação na dança, na educação e na cultura urbana em Santa Catarina. Sua caminhada nasceu das danças urbanas, dos projetos sociais e da educação pública, espaços onde a dança se transforma em pertencimento, autoestima, convivência comunitária e transformação social.

Da periferia aos espaços de decisão

Ao longo dos anos, Sam acompanhou de perto o impacto da dança na vida de crianças, jovens e pessoas que historicamente tiveram seus direitos culturais negados ou colocados em segundo plano. Para ele, a dança vai além da técnica e do espetáculo, tornando-se uma ferramenta de formação humana e desenvolvimento social.

Atualmente, atua como oficineiro da Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família de Balneário Camboriú, desenvolvendo trabalhos ligados à dança e à cultura urbana. Também já atuou na Fundação Cultural de Camboriú, experiência que contribuiu para fortalecer sua defesa pelo acesso gratuito à dança nos espaços públicos.

Quando a dança vira política pública

A recente sanção da Lei da Dança representou uma conquista histórica para os profissionais do setor em todo o Brasil. Resultado de anos de mobilização nacional, a legislação fortaleceu o reconhecimento profissional da categoria e ampliou o debate sobre direitos, condições de trabalho, valorização e políticas públicas para bailarinos, dançarinos, coreógrafos, professores, arte-educadores e demais trabalhadores da dança.

Durante o Fórum, temas como acesso, permanência, oportunidades, reconhecimento profissional e fortalecimento das culturas periféricas estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos representantes de diferentes regiões do país.

Hip-hop, educação e transformação social

Foto: Reprodução
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Os debates também dialogaram com avanços recentes voltados às culturas urbanas. Entre eles está o Decreto nº 11.784, publicado pelo Governo Federal em 2023, que reconhece a cultura hip-hop como manifestação da cultura nacional e estabelece diretrizes para sua valorização e fomento.

Outro destaque foi o Programa Escola Nacional de Hip Hop, do Ministério da Educação, que utiliza a cultura hip-hop como ferramenta didático-pedagógica dentro da educação básica. O programa fortalece ações ligadas à cidadania, diversidade, inclusão, educação antirracista e enfrentamento das desigualdades educacionais.

Para profissionais das danças urbanas, esses avanços representam o reconhecimento de uma linguagem artística que também atua como instrumento de aprendizagem, identidade, geração de renda e transformação social.

Os desafios de quem dança no próprio território

Durante as discussões, também foram destacadas dificuldades enfrentadas pelos profissionais da dança no Vale do Itajaí e em Santa Catarina. Entre elas, a falta de oportunidades para artistas locais participarem de grandes eventos realizados na própria região, muitas vezes sem diálogo com coletivos, fóruns e representantes da classe artística.

Essa realidade faz com que bailarinos, dançarinos, coreógrafos e arte-educadores acabem invisibilizados dentro dos próprios territórios onde vivem, pesquisam, ensinam e desenvolvem seus trabalhos. Enquanto eventos movimentam recursos e oportunidades, muitos profissionais seguem sem acesso às vagas e experiências geradas por essas iniciativas.

Fortalecer as setoriais de dança, criar pontes entre produções externas e artistas da região e garantir a participação dos profissionais locais nas programações culturais são medidas que contribuem para o desenvolvimento cultural, a geração de renda e a permanência dos artistas em seus territórios.

Um compromisso que continua

A participação de Sam Carvalho no 17º Fórum Nacional de Dança reforçou a importância de Santa Catarina, do Vale do Itajaí, das danças urbanas, das periferias, da educação pública e dos projetos sociais estarem presentes nas decisões sobre o futuro da dança brasileira.

Mais do que integrar um encontro nacional, estar no Fórum significou reafirmar um compromisso profissional e político com uma dança mais acessível, valorizada, diversa, profissionalizada e conectada aos territórios que a mantêm viva todos os dias.

Quem serviu esse café?

Tihh Gonçalves
Tihh Gonçalves

É jornalista no Café News. Serve histórias como café: com calma, no filtro e com o gosto real das coisas. Deixa a pauta decantar antes de escrever, porque acredita que a cultura precisa de tempo, escuta e um olhar menos apressado. Acompanha no fogo baixo e publica quando ferve (e só se valer a pena).

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