8M em Itajaí

8M vai às ruas contra a violência de gênero em Itajaí

Ato em Itajaí integra mobilização nacional enquanto Brasil registra recorde de feminicídios em 2025.

Redação Café News 04 de março de 2026

Foto: Arquivo/Movimento Elas
Foto: Arquivo/Movimento Elas

No próximo sábado (7), o Movimento Elas leva às ruas do Centro de Itajaí uma manifestação contra o feminicídio, a violência doméstica e outras formas de agressão contra mulheres. A mobilização integra a agenda nacional do Movimento 8M, articulada em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março — data que, mais do que simbólica, se impõe como alerta diante da escalada da violência de gênero no país.

Programação do ato

A programação inicia às 10h, em frente ao chafariz da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, com intervenção artística da artista plástica e arte-educadora Silvana Rocha. Às 10h30, um ato simbólico em frente ao Museu Histórico de Itajaí reunirá o grupo de maracatu Baque Mulher, além de leituras de dispositivos legais e letras de músicas que tratam do enfrentamento à violência de gênero.

O cortejo segue pelo calçadão da Hercílio Luz até a Praça do Marco Zero, onde estão previstas novas intervenções artísticas, distribuição de zines e falas de representantes do Movimento Elas, do bloco A Vida Presta, do coletivo Mulheres do Litoral, de lideranças políticas e de integrantes de sindicatos da região.

A mobilização terá continuidade às 20h30, no Mercado Público, durante o Samba de Bárbara. No domingo (8), o ato será realizado em Balneário Camboriú, a partir das 9h30, na Praça Almirante Tamandaré, na Avenida Atlântica.

Foto: Arquivo/Movimento Elas
Foto: Arquivo/Movimento Elas

Tamayra Pauline Henkel, membro da comissão organizadora do ato de sábado, afirma que, além de ter voz, direito ao trabalho e acesso a políticas públicas, a mulher tem o direito de existir sem violência e sem silenciamento.

“Precisamos ocupar cada vez mais os espaços que historicamente nos foram negados, especialmente diante do aumento da violência contra as mulheres. Não há democracia onde mulheres não são livres.”

Cléo Comunelo destaca que o ato busca contribuir para o enfrentamento do patriarcado, uma construção histórica que perpetua a desigualdade de gênero, valoriza o masculino em detrimento do feminino e normaliza comportamentos que privilegiam homens.

“São gerações e gerações que conduzem a vida das mulheres: mulheres que sonharam, mulheres que sofreram, mulheres que lutaram, mulheres que venceram, mulheres que morreram — e que ainda continuam buscando, no dia a dia, a equidade.”

Foto: Arquivo/Movimento Elas
Foto: Arquivo/Movimento Elas

Recorde nacional acende alerta

A mobilização ocorre em um cenário alarmante. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios desde que o crime foi tipificado, em 2015. Dados consolidados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, apontam cerca de 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero no ano passado — média de quatro mortes por dia.

O indicador transforma o 8 de março em um momento de reflexão urgente sobre a persistência de uma violência estrutural que atravessa classes sociais, territórios e perfis socioeconômicos.

Em Santa Catarina, o cenário também preocupa. Levantamento do Observatório da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública, contabilizou 52 feminicídios em 2025. Apenas em janeiro de 2026, cinco casos já haviam sido registrados no Estado.

Na região da Foz do rio Itajaí-Açu, o problema deixa de ser apenas estatístico. Reportagens publicadas ao longo de 2025 confirmaram feminicídios consumados em cidades como Itajaí, Penha e Navegantes. Já em 2026, novos casos investigados como feminicídio foram registrados nos primeiros meses do ano em Itajaí e Balneário Camboriú.

Foto: Arquivo/Movimento Elas
Foto: Arquivo/Movimento Elas

Embora não haja um painel público consolidado específico para a AMFRI, o recorte a partir das ocorrências noticiadas evidencia que a violência de gênero não se restringe a um perfil territorial específico. Ela atinge municípios portuários, turísticos e industriais, revelando um fenômeno de base estrutural.

Especialistas apontam que o feminicídio, na maioria dos casos, ocorre no ambiente doméstico e costuma ser precedido por histórico de agressões, ameaças ou descumprimento de medidas protetivas. O dado reforça a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, ampliação da rede de acolhimento e maior efetividade no cumprimento das decisões judiciais.

Mais do que homenagem

O Movimento 8M se define como uma articulação feminista internacional, diversa e interseccional, que reúne mulheres cis e trans, pessoas não binárias, negras, indígenas, trabalhadoras e periféricas. A pauta nacional deste ano concentra-se no combate aos feminicídios e na defesa de políticas públicas efetivas.

Foto: Arquivo/Movimento Elas
Foto: Arquivo/Movimento Elas

“A cada dia, mulheres são silenciadas dentro de suas próprias casas, em relações que deveriam ser de cuidado, não de medo. O feminicídio não é um número; é uma história, um nome, uma família destruída”, destaca Silvana Rocha.

Ela defende que, no próximo sábado, a praça que abrigará a manifestação se transforme em um espaço de reflexão, que a cor vermelha utilizada na instalação artística cause incômodo — e que o incômodo se converta em consciência.

“E que a consciência vire ação”, arremata.

Em um contexto de recordes negativos, o 8 de março deixa de ser apenas uma data comemorativa. Torna-se cobrança institucional. Exige articulação entre Judiciário, Ministério Público, forças de segurança e rede de assistência social. E, sobretudo, convoca a sociedade a transformar estatística em política concreta de proteção à vida.

Este café foi servido com informações do jornalista Joca Baggio.

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