Abafar o quê?
Quando Banco Central e Polícia Federal desmontam um esquema e a oposição grita “abafa”, o alvo não é o crime. É o governo.

No dia 04 de fevereiro, a colunista Jussara Soares, da CNN Brasil, publicou o texto “Oposição vê ‘operação abafa’ contra CPMI do Banco Master”. A manchete cumpre bem seu papel político. Ela não informa. Ela sugere, provoca e cola no governo uma suspeita que os fatos não sustentam.
O que diz a narrativa
A tese apresentada é a de que haveria uma articulação do Planalto para esfriar a CPMI do Banco Master, como se o governo tivesse interesse em proteger Daniel Vorcaro. O problema é que essa narrativa entra em choque direto com a realidade institucional.
O que mostram os fatos
Foi o Banco Central, sob o governo Lula, que interveio, liquidou o banco e escancarou o tamanho do rombo.
Foi a Polícia Federal, também sob este governo, que avançou nas investigações e ajudou a desarticular o esquema.
Foi o Estado, não a oposição, que agiu.
Se isso é “abafa”, trata-se de um conceito novo, onde investigar, punir e liquidar passam a ser sinônimos de esconder.
A coluna ignora deliberadamente esse ponto central e prefere amplificar a fala da oposição como se ela tivesse o mesmo peso que os fatos. Não há contraponto real, apenas reprodução de discurso. O leitor é conduzido a acreditar que existe fumaça, mesmo quando o incêndio já foi combatido.
É revelador que a indignação surja justamente quando as instituições funcionam fora do controle político de quem sempre monopolizou o discurso anticorrupção. Quando o Estado age, vira suspeito. Quando se omite, é silêncio conveniente.
A pergunta do café
A CPMI pode existir, ninguém discute isso. Mas tratá-la como única régua de compromisso com a verdade, enquanto se apaga a atuação concreta do Banco Central e da Polícia Federal, não é jornalismo crítico. É alinhamento narrativo.
No café de hoje, a pergunta é simples: quem realmente tem interesse em desacreditar uma investigação que já acontece? Porque, neste caso, o “abafa” não está nos atos do governo. Está na forma como parte da mídia escolhe contar a história.
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