Ai, que vergonha!

Plenárioflix: A minissérie de humor pastelão da Câmara de Camboriú estreou agora em 2026

Foram dois episódios, uma liminar, muita encenação e quase nenhum respeito ao eleitor.

Tihh Gonçalves 19 de janeiro de 2026

Foto: Reprodução/Imagem que o Victor Piccoli enviou para a redação do Café News.
Foto: Reprodução/Imagem que o Victor Piccoli enviou para a redação do Café News.

Se fosse ficção, diriam que exageramos. Mas foi só mais um capítulo real do legislativo de Camboriú, que decidiu começar 2026 com vergonha em dobro e credibilidade pela metade. O nome da série? Plenárioflix.

Renúncia com roteiro mal escrito

Tudo começou dias antes, com a renúncia do então presidente Marlon (MDB). O anúncio oficial saiu na quarta-feira (14), com um discurso cheio de boas intenções: abrir espaço para os colegas, antecipar a aplicação do novo regimento e demonstrar espírito democrático. Até ali, já parecia o início de uma história mal contada.

Roteiro caótico e final repetido

Foi então marcada pra sexta-feira (16), uma sessão extraordinária para elegerem um novo presidente. Chegando lá, o então presidente interino, Victor Piccoli (PDT), alegou “problemas técnicos no som” e deixou o plenário sem sequer abrir formalmente a sessão, pedir verificação de quórum ou seguir o rito mínimo previsto.

E aqui vale o parêntese: qualquer um que acompanha sessões da Câmara sabe que falhas técnicas acontecem. O protocolo é simples: suspende-se por alguns minutos, tenta-se resolver e segue o jogo.

Pra piorar o enredo, a tal sessão de sexta nem deveria ter começado do jeito que começou. Como a renúncia de Marlon só se tornaria oficial após a leitura da carta em plenário, era ele quem deveria abrir a sessão. Simples assim. Mas não foi o que aconteceu.

Victor entrou, anunciou que estava suspendendo tudo e saiu, sem rito, sem leitura, sem quórum e sem explicação. Inventaram um personagem novo no roteiro e tentaram seguir com cara de normalidade, como se nada tivesse acontecido. Parecia que o interesse não fosse resolver o problema, mas impedir que a sessão acontecesse.

Pois bem, o som voltou, o sistema funcionou, os microfones operaram normalmente e a sessão… aconteceu.

Foi a primeira secretária, Inalda do Carmo (PSD), quem assumiu o B.O., abriu a sessão como manda o regimento e conduziu os trabalhos até o fim.

*Resultado: eleição feita, Fabiano Olegário (PL) com 8 votos. *

Episódio 2: agora com liminar

No domingo à noite (já quase segunda), em clima de tensão nos bastidores, o Tribunal de Justiça de SC suspendeu os efeitos da sessão. A eleição teve que ser refeita na manhã de segunda (19). Camboriú amanheceu com mais um episódio da série legislativa menos respeitada do estado.

E o final? O mesmo.

Na nova votação, Fabiano Olegário foi eleito de novo, com os mesmos oito votos. A diferença? Agora com aval jurídico e ainda mais exposição pública. O “plot twist” que esperavam não veio. Só veio mais desgaste (e a vergonha, ou melhor, a falta dela).

Foto: Divulgação/Sessão extraordinária com Fabiano Olegário já na presidência da Mesa Diretora.
Foto: Divulgação/Sessão extraordinária com Fabiano Olegário já na presidência da Mesa Diretora.

Muito barulho por nada

Entre a sessão que “não existiu”, a que existiu “demais” e uma liminar de última hora, o que se viu foi um teatro político desconectado da população. Parlamentares disputando argumentos técnicos enquanto a cidade assistia, constrangida, ao vexame coletivo.

A atuação? Forçada. O roteiro? Fraco. O público? Cansado.

Quem manteve a compostura

No meio da confusão, a condução firme da vereadora Inalda do Carmo merece registro. Mesmo diante das manobras, seguiu o rito, manteve o quórum e garantiu que o processo tivesse começo, meio e fim (duas vezes, inclusive). Se houve um mínimo de ordem no caos, veio dali.

A moral da história

A Câmara de Camboriú começou 2026 tentando uma eleição. Entregou uma novela. Que sirva de lição (ou pelo menos de vergonha suficiente pra não ter terceira temporada).

Quem serviu esse café?

Tihh Gonçalves
Tihh Gonçalves

É jornalista no Café News. Serve histórias como café: com calma, no filtro e com o gosto real das coisas. Deixa a pauta decantar antes de escrever, porque acredita que a cultura precisa de tempo, escuta e um olhar menos apressado. Acompanha no fogo baixo e publica quando ferve (e só se valer a pena).

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